À margem do turismo

Utopia e realidades do turismo fora das trilhas batidas

Marie Delaplace - Maria Gravari-Barbas

Introdução
Turistas em busca de margens
Os atores, entre propostas fora da trilha batida e institucionalização
Conclusão
Bibliografia
References
Autor

 

Introdução

Todo viajante persegue um fantasma que perpetuamente lhe escapa; ele espera continuamente descobrir um novo modo de vida que seja de alguma forma fundamentalmente diferente daqueles com os quais ele está familiarizado. (...). Em lugares que todos conhecem, nas trilhas batidas, ele nunca encontrou o que procura. Nas trilhas, independentemente da parte do mundo onde elas levam, os homens e as mulheres ainda vivem quase da mesma maneira e nenhum "abre-te sésamo" dá acesso ao seu ser escondido. Mas, talvez, fora do caminho batido, em pequenas áreas afastadas, onde os hotéis são muito ruins (...), talvez em lugares onde não há nenhum hotel, mas somente abrigos (...) talvez em lugares onde você tem que armar a sua tenda e ter consigo porteiros carregados de provisões e munições (...) talvez onde há apenas selva, sanguessugas, cobras, precipícios e vampiros, e às vezes pigmeu com uma zarabatana e flechas envenenadas ... Talvez ... Mas, no meio de crocodilos e canibais, o segredo ainda escapa você. A vida, ali também, permanece basicamente a mesma".
A. Huxley, 1926

Da mesma forma que a fronteira não pode ser entendida independentemente dos países ou territórios que separa, o turismo fora das trilhas batidas só pode ser analisado tendo em conta o turismo nas trilhas batidas. Mas há um turismo nas trilhas batidas? Vêm espontaneamente à mente as praias lotadas do sul da França, hordas de turistas que iniciam a subida do Mont Saint-Michel ou invadem o templo de Angkor. As “trilhas batidas” seriam então o mundo da multidão e o “fora das trilhas batidas” o mundo do indivíduo ou do pequeno grupo? Mas pode a multidão ser suficiente para definir as trilhas batidas, e o isolamento o contrário?

Associados com a multidão, locais de turismo nas trilhas batidas seriam lugares já explorados, desflorados, descritos, em suma, lugares que não oferecem nenhuma possibilidade de descoberta. Por outro lado, locais de turismo fora das trilhas batidas seriam lugares que imaginamos distantes, inacessíveis, que permaneceram virgens que ainda não revelaram os seus segredos. Mas o nosso mundo sendo finito, trilhas para descobrir, novas rotas a abrir são reduzidas, o turismo fora das trilhas batidas será fadado a desaparecer?

É claro que o turismo “fora da trilha” como o turismo “na trilha” são diferentes no tempo e no espaço, porque, ontologicamente, eles estão localizados. Assim, o “fora da trilha” de hoje deve desaparecer amanhã. Como o indicam vários autores desta edição, às vezes há uma institucionalização do turismo considerado um tempo como fora do caminho batido, e a institucionalização – ou até a massificação – são o futuro escrito de lugares “fora da trilha batida” que acabam sendo histórias bem-sucedidas de desenvolvimento do turismo.

O turismo fora das trilhas batidas dura de fato apenas um tempo, o tempo da sua descoberta. Parafraseando Mallarmé[1], o fato de descobrir um turismo fora das trilhas batidas poderia remover a maior parte do charme deste tipo de turismo – que é de adivinhar gradualmente. Assim sendo, Chernobyl (Yankovska, Hannam, 2014), considerado por muito tempo uma forma de turismo fora das trilhas batidas, foi aberto ao turismo em 2011, com viagens agora legais: “Tourism has a new frontier: the site of the world’s biggest civilian nuclear disaster[2]. Destinos fora da trilha já não têm limitações como parecem não ter limites as práticas inventadas por turistas, às vezes oferecidas pelas entidades ligadas ao turismo para aproveitar o extraordinário e re-encantar do comum.

Porque, na verdade, o “fora das trilhas” de um é apenas, por vezes, o re-encantar a vida de outros. In “Antes e depois do(s) turismo(s). Trajetórias de lugares e papel dos intervenientes do turismo ‘fora da trilha’, uma revisão da literatura “, Aurélie Condevaux, Geraldine Djament e Maria Gravari-Barbas olham para a literatura que explora práticas, atores e lugares posicionados no nicho. Oferecem-nos analisar a aproximação, frequentemente mencionada na literatura, entre o ordinário e o turismo. Elas, portanto, demonstram que o desenvolvimento do turismo nos lugares comuns pressupõe processos de encantamento e uma mudança do olhar, que é uma forma de distanciamento do comum. Elas também mostram que, se a participação no desenvolvimento do turismo dos habitantes e o que é comumente chamado de sociedade local não são novos, esses habitantes são agora, no entanto, atores centrais nesta dinâmica. O atual desenvolvimento do turismo nos lugares comuns baseia-se nestes atores, tão comuns como esses locais, os habitantes.

Como destacamos no marco teórico de TEOROS (Gravari-Barbas, Delaplace 2015), o turismo fora das trilhas não pode ser tratado como categoria analítica (Cravatte, 2009). Pelo contrário, deve ser concedido o estatuto de objeto de estudo para entender como os valores e critérios associados a este conceito são construídos, circulam e onde eles estão localizados (ibidem). É neste contexto da caracterização como lugares ou produtos turísticos “fora das trilhas batidas” que eles nos dão um material valioso para a análise: não o de discursos, localidades ou práticas, mas representações de todos os atores da cadeia e, especialmente, dos turistas e dos tomadores de decisões, públicos e privados.

É em torno destas duas categorias de atores – que na realidade escondem muitos outros – que a introdução desta edição está organizada.

Turistas em busca de margens

Não seria bom afastar-se de uma caracterização dos lugares para se concentrar sobre o assunto, o ator, o turista? O turismo fora das trilhas não seria principalmente um olhar, um estado de espírito, uma imaginação, uma busca?

Turistas fora das trilhas não seriam elementos avançados, pioneiros!

Os turistas, como os consumidores, procuram novas experiências. O consumo experimental é ao mesmo tempo uma busca de sensações e emoções, de práticas que fazem parte de uma experiência (Pine II e Gilmore, 1998). Mas a experiência nem sempre é uma experiência “fora da trilha”! Não seria tanto o lugar em si que será definido como dentro ou “fora da trilha”, nem mesmo a experiência que o qualifica como “fora da trilha” ou não é, seria a maneira de percorrer o caminho que o faria. Como destacado Jean Scol (nesta edição), percorrer a trilha de moto se torna mais importante do que o destino final.

Da mesma forma, Pascale Argod (nesta edição) destaca como os turistas que saem da trilha batida reivindicam o fato de fazê-lo para descobrir os lugares. São regras especiais que descrevem o “fora da trilha” e outras que qualificam seu oposto. Por isso os turistas fora da trilha podem voltar a ser turistas na trilha quando o seu olhar, suas práticas, evoluirem. Dean MacCannell, refazendo seus passos em uma introspecção intitulada “Way Off the Beaten Path, ou Como me tornei um pesquisador em Turismo”, que também é uma extraordinária retrospectiva dos caminhos que o turismo tem viajado ao longo das últimas décadas do século 20 (nesta edição), questiona reflexivamente o seu próprio status como turista ou viajante. Ele nos convida a contemplar o caminho fora da trilha que o levou a se tornar o que ele é, um pesquisador de turismo. Ele mostra como os adjetivos que se juntaram a palavra turismo pode resumir a diversidade de comportamento dos turistas que são, acima de tudo, humanos vivendo a experiência de suas próprias vidas. Juntou-se nisso a Aldous Huxley, “a vida, ali também, permanece basicamente a mesma” (1926).

Brenda Le Bigot e Jean Scol (nesta edição) discutem práticas marginais, que alegam estar “fora da trilha batida” por meio da análise, para a primeira, a volta ao mundo, de mochila, em 365 dias e a geografia do turismo de moto para o segundo. Lendo o seu trabalho permite destacar como essas práticas marginais podem finalmente ser gradualmente institucionalizadas, quando aqueles que eram jovens mochileiros ou jovem motoqueiros envelhecem, mudam de olhar e de fato são levados a abandonar a reivindicação de práticas marginais ou misturar suas necessidades com os valores de ontem … Estes evoluções não são apenas geracionais, elas também estão localizadas no tempo e no espaço. A renovação destas práticas “fora da trilha” por jovens de hoje, portanto, não é garantida porque os valores que caracterizavam as práticas de ontem já não são, necessariamente, os de hoje.

Incursões fora da trilha batida analisadas ​​pelos autores desta edição não são sem consequências, tanto para os visitantes como para visitados. Em “Roubo ou o sentimento heterotópico em situação turística (um estudo de dois casos-limites de saída do turismo”, contando a visita da cidade de Paldiski na Estónia e uma estadia em uma casa da Chora, na ilha de Skyros), Hecate Vergopoulos (nesta edição) mostra que a presença de alguém em um lugar do quotidiano pode se tornar um problema para o turista. Se não for concedida pelo anfitrião, o turista pode experimenta-la como um “arrombamento turístico” em outras culturas e outras vidas. De fato, no primeiro caso, é a realidade das dificuldades económicas das populações. que os turistas percebem. que os levaram a questionar a sua própria condição de turistas. No segundo caso, nenhum encontro ou qualquer transação tendo ocorrido diretamente entre os turistas e o proprietário da casa, o lugar não permite que o turista se torne totalmente tal.

A vontade que têm os turistas de passar do outro lado do espelho (para finalmente conhecer o backstage), incluindo um trabalho de introspecção e de auto-aperfeiçoamento, supõe uma poetização dos lugares e das práticas diárias.

E se esse dia não fosse de outros, mas o seu próprio? Em um mundo marcado pela velocidade, a mobilidade e o movimento, o turismo “fora da trilha” pudesse levar a ficar em casa? Em uma interpretação do que alguns pesquisadores chamam de “staycation” (Germann Molz-2009) Romain Berard analisa em seu artigo “quando a neve se convida na cidade” (nesta edição), este “turismo em casa”; lugares de todos os dias tornam-se destinos turísticos quando eles são adornados com atributos que eles normalmente não têm. O sentido de uma experiência “fora da trilha” que viria a partir da (re) descoberta certamente re-encantada (pela neve, com uma atmosfera especial, uma visita organizada por um greeter local …) dos seus lugares de vida cotidiana? É toda a geografia do turismo, estruturada em torno da diferenciação fundadora entre lugares de todos os dias e locais fora do cotidiano, que é interrogada pela nova forma como é vista a questão das práticas de turismo (MIT, 2008).

Os atores, entre propostas fora da trilha batida e institucionalização

Se os turistas são os desbravadores, pioneiros, aqueles que traçam com os seus passos ou com um olhar fresco e inédito as novas práticas de turismo, as propostas “fora da trilha” vêm também de atores institucionais ou não (decisores nacionais ou locais, associações, agentes privados, editores …). São eles que criam o desejo, o que abrem novas perspectivas, que ajudam a quebrar as barreiras entre os lugares …

Publicações turísticas desempenham um papel importante. O guia Lonely Planet diz logo que o “fora da trilha” é uma questão de atitude. Ele diz que é possível ser “fora das trilhas batidas … em qualquer lugar! “. Ele dá conselhos que permitem “much like a detective, finding how and where to get off the beaten path, be that far from the tourist trail or directly on it rrequires looking for clues, following your gut, and taking a few calculated risks[3]. Assim sendo, ele sugere falar com as pessoas; vagar sem rumo; prestar atenção aos mapas, não para encontrar o seu caminho, mas para identificar lugares onde nunca estiveram; tomar os transportes públicos; seguir um tema de visita; viajar fora de temporada e fora dos horários de pico e não sobrecarregar a agenda da visita; ser espontâneo; assumir alguns riscos (Gravari-Barbas, Delaplace, 2015).

Este convite ao turismo fora da trilha, promovido por uma publicação turística como Lonely Planet, sugere uma possível comoditização associada à sua generalização e provavelmente contribui para sua subsequente institucionalização. Em seu artigo sobre “A midiatização do turismo ‘fora da trilha’ em uma publicação turística criativa” Pascale Argod destaca que a institucionalização do “fora da trilha” é expressa pelo desenvolvimento da edição turística. A diversidade de formas oferecidas por esta última é ao mesmo tempo “a serviço de personalização da viagem e a descoberta do Outro”, e o sinal de uma generalização e de uma possível padronização das práticas …

Vários autores enfatizam a tensão entre o “in” e o “off” das propostas turísticas que querem ser “fora da trilha”. Ela é mantida pelos atores cujo papel consiste precisamente de colocar no “mercado” produtos e locais que exploram as margens. Em muitos casos, é uma verdadeira construção de locais turísticos, via o desenvolvimento, a rotulagem, e a narração que são oferecidos.

Em “Turismo e casas de escritores, entre lugares e letras” Aurore Bonniot-Mirloup (nesta edição) mostra como um lugar sem interesse turístico a priori – uma vez que é uma casa que pode ser, afinal, bem comum – pode tornar-se interessante através de um processo de valorização de escritores que viveram nele. Este lugar torna-se o meio permitindo o encontro entre um imaginário, o de turista, e uma obra literária, transformado a localização física de um visitante em a sua utopia específica, tornando-se uma heterotopia. Esta transmutação é, naturalmente, acompanhada por um conjunto de medidas postas em prática por uma cadeia de atores – desde os atores nacionais que concedem rótulos, até aqueles que desejam promover o património da sua cidade.

Chiara Rabbiosi em seu artigo sobre o turismo participativo em Milão (nesta edição) mostra, através de uma análise crítica de duas iniciativas “(Piacere e MygranTour) como os atores e associações locais conseguiram criar novas imagens de lugares para Milão e legitimar novas geografias do turismo fora da trilha batida. A análise crítica mostra, contudo, que estas iniciativas, mesmo se eles são “bottom up“, são incapazes de se afastar totalmente de estereótipos ou da reprodução de propostas turísticas convencionais.

Conclusão

Como analisar essas situações complexas de hoje? Condevaux, Djament-Tran e Gravari-Barbas introduzem o termo de hiper-turismo, que faz a observação de que as práticas emergentes do turismo (turismo alternativo, turismo “fora da trilha”, etc.) não se substituem à frequentação dos lugares famosos. Os turistas interessados ​​em formas de turismo “alternativo” (Primo et al 2015) continuam simultaneamente a alimentar formas mais tradicionais de turismo. A tese do “hiper-turismo” permite de entender esta acumulação e diversificação de práticas, os turistas passando de um turismo “corrente principal”, caracterizado por produtos comercialmente promovidos pelos prestadores estabelecidos ou concentrada em estabelecidos locais turísticos, para o turismo alternativo. O turismo fora da trilha batida não é antagônica turismo “de massa”, mas complementar. Como mencionado acima, mudar de um para outro, as vezes, resulta apenas de uma mudança de olhar…. Mais de uma situação de pós-turismo, portanto, ele faz parte de uma situação de hiper-turismo, marcado pela exacerbação, generalização e transversalidade de fenômenos turísticos nas nossas sociedades não pós-modernas, mas hiper-modernas (Gravari-Barbas, Delaplace, 2015).

A análise crítica da bibliografia proposta por Condevaux, Djament-Tran e Gravari-Barbas (nesta edição) corrobora a transversalidade dos fenómenos turísticos contemporâneos. Ele destaca tanto a vontade (histórica!) que os turistas têm de empurrar mais e mais as margens do turismo e a alta reatividade de entidades ligadas ao turismo, que agora são capazes de propor produtos mais e mais sofisticados e personalizados. Ele mostra, principalmente, a desintermediação do turismo tornada possível pela economia digital, mas também pela maturidade dos turistas, cada vez mais ricos em “capital turístico” (Darbellay, et al 2011) e, muitas vezes, pela maturidade das populações que acolhem o turismo. A multiplicação de encontros diretos possíveis entre eles (turistas) e outros (moradores) habilitado pelo desenvolvimento da Internet e das redes peer-to-peer poderá aniquilar suas diferenciações?

O contexto de hiper-turismo introduz um novo paradigma para a compreensão do fenómeno turístico tal como foi percebido desde a sua criação. Ele permite abordar a busca, pelos turistas, de experiências fora da trilha como uma superação do fenômeno turístico até agora apreendido pela pesquisa. Por isso, exige de renová-la assim como os conceitos que ela mobiliza, os seus métodos e ferramentas.

Ele permite de re-situá-la no contexto da mobilidade generalizada. Uma perspectiva que parece bem emocionante!

Bibliografia

Cousin S., Djament-Tran G., Gravari-Barbas M., Jacquot, S., 2015, “Contre la métropole créative … tout contre. Les politiques patrimoniales et touristiques de Plaine Commune, Seine-Saint-Denis”. Métropoles, 15 Politiques urbaines alternatives (2). Accessible sur : https://metropoles.revues.org/5171

Cravatte Céline (2009) “L’anthropologie du tourisme et l’authenticité, Catégorie analytique ou catégorie indigène ?” Cahiers d’études africaines, 1 (n° 193-194).

Darbellay F., Clivaz Ch., Nahrath S. Stock M., 2011, “Approche interdisciplinaire du développement des stations touristiques. Le capital touristique comme concept opératoire”, Mondes du Tourisme, No 4, p. 36-48

Germann Molz, J., 2009, “Representing pace in tourism mobilities: Staycations, Slow Travel and The Amazing Race”. Journal of Tourism and Cultural Change 7(4), p. 270-286.

Huxley A., 1926, Tour du monde d’un sceptique, Petite bibliothèque Payot

Huret J., 1891, Enquête sur l’évolution littéraire, Stéphane Mallarmé, Bibliothèque-Charpentier, pp. 55-65.

Gravari-Barbas M., Delaplace M., 2015, “Introduction Le tourisme urbain ‘hors des sentiers battus’, Coulisses, Interstices et nouveaux territoires touristiques urbains, Teoros, 34, 1-2

MIT, 2008, Tourisme. Lieux communs, Belin Mappemonde

Pine II B. J., Gilmore, J. H., 1998, “Welcome to the Experience Economy”, Harvard Business Review, July August

Yankovska G., Hannam K., 2014, “Dark and toxic tourism in the Chernobyl exclusion zone”, Current Issues in Tourism, Vol 17, Issue 10, Pages 929-939

 

 

[1] Citado porr Jules Huret, 1891.

[2] https://www.theguardian.com/world/2010/dec/13/chernobyl-now-open-to-tourists

[3]<http://www.lonelyplanet.com/travel-tips-and-articles/how-to-get-off-the-beaten-track-anywhere>, 18 décembre2015

Autor

Marie Delaplace,
 Lab’urba, UPEM
Maria Gravari-Barbas, 
EIREST, EIREST, Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne

 

 

Tradução Francese > Português
Hervé Théry